quarta-feira, abril 27, 2005

Tempos idos Tempos que lá vao

Foi o tempo que perdeste,
As coisas que esqueceste
A realidade que te iludiu,
O mundo que então ruiu
E tu nada viste
Nem algo sentiste.

Vegetaste em tristeza,
Consentiste tal estranheza,
Que nao te permite ser
Ou por vezes sequer mover
Amargurando-te, no tempo que entao passou
Levando-te a esquecer, o pouco que nao te lembrou
De um amor ido, que nao mais retornou
Mas descansa, antes de te suicidares todos eles morrerão
Serás o ultimo, e contigo levarás, toda e qualquer velha recordação
Que o tempo que gastas-te nao sarou
Porque és um guia da destruição,
Porque és o tempo acima do tempo ido e de todos os que lá vão...
És o Senhor que tudo sara, que purga a mente
que esquece e que nao sente
Contudo se nao te matares, a recordacao
Seja do amor, seja do rancor, é mais tenebrosa,
é mais, muito mais poderosa,
Serás o ultimo então
mas contigo levaras a velha e por vezes triste recordação


Ruben Salazar
28/04/05

Porque a poesia não tem que ser escrita por vezes...

tempo Posted by Hello

quinta-feira, abril 21, 2005

estado de desgraça

Sinto-me cair, num vazio emocional
sinto que perco o controlo a cada passo que dou
tento parar, mas é inutil,
a marcha insessante
segue o ritmo certo do relogio
que não pára, que nao cessa....
Endoideço, sinto-me a morrer
a cada momento, a cada suspiro
sinto o fim,
próximo de mim....
E ainda assim
não paro, não o contemplo
sigo em frente a caminho do abismo
Sei que cairei
e que no fim apenas o chão me aparará
mas nao temo,
porque não me recordo
a memoria do perigo próximo,
não temo porque esqueço
a cada passo, aquilo que sou,
aquilo que fui....e o abismo aproxima-se....

memorias da loucura
Ruben Salazar

quarta-feira, abril 13, 2005

When I made 22

a loucura chegou...
invadiu e conquistou....
o sepulcro que me envolve
que não me deixa daqui sair....
inébrio, e louco aqui se desenvolve
o ser que um dia há-de cair
da mais alta das alturas
da mais profunda das imaginações....
Toda a gente lembrará suas loucuras
Todos sentirao suas paixoes...
Mas ninguem o conseguira salvar
Ninguem o quererá salvar!
Ruben Salazar
13/04/05
22 anos é mt puxado

quarta-feira, abril 06, 2005

O vazio....

Antigamente, antes de ser assim,
Ouvia-te dentro de mim
Dizias que me amavas como a ninguém
Que nem gostavas de outro alguém
Mas quando a verdade chegou
Foi o tempo, quem de mim te roubou
E hoje depois de tudo lembro simplesmente
O gosto que tinha em te amar,
Recodo amargamente,
O dia em que te vi para longe voar
Minha doce dor de sentimento
Minha palavra repetida em tormento
Porque partiste e me deixaste vazio?
Porque te foste e me largaste em lugar sombrio?
És tu que amo e mais ninguem
És tu. "Amor" não há outro alguém!


Ruben Neri
06/04/05

domingo, março 27, 2005

Novas Esperanças

E novos dias vieram
Depois da tempestade que me assolou
E novas espernças quiseram
Navegar por aquilo que agora sou
Os tristes sonhos partiram
Num mar tranquilo e sereno
Velhos medos se sumiram
pela impersistencia da inquietude
pela mudança de atitude.
Agora espero por aquilo que dantes sentia
Espero que por esse labirinto volte
O prazer da companhia
E que com isso a alegria se solte
E eu que quero retornar,
não às sombras dos jazigos, às sombras do sentimento,
Mas regressar para a nova aurora, contemplar
Deixar de vez que as profundas tristezas
Se afundem no enorme mar, do esquecimento.



Ruben Salazar
27/03/05

sexta-feira, março 25, 2005

Pensamentos

Tive hoje no meio de uma conversa via MSN o porquê da minha crise criativa, o vazio que me enche, funciona como uma nuvem no céu...tapa-nos por vezes a visibilidade e por isso a demora na conclusão!
A crise deve-se à falta de amor, é piroso mas é verdade, ele é a materia prima, é ele...sempre ele! É incrivelmente vasto, leva-nos à solidão, ao desespero, a tantas coisas...por outro lado a sua falta, a lado algum nos transporta é um beco, do qual não hà saída!

quinta-feira, março 24, 2005

the first thing

Fui escolher mal o dia para começar este site...Mas que isso seja apenas um problema menor.
Espero que esteja mais inspirado noutra altura em que consiga de forma fluída escrever e compreender de forma clarividente o que escrevo.
Este é o primeiro de muitos e visto que me falta a inspiração, inspirar-me-ei para colocar aqui um dos meus poemas favoritos, escrito por um grande poeta:

Ironias do desgosto

"Onde é que te nasceu" - dizia-me ela às vezes -
"O horror calado e triste às coisas sepulcrais?
"Porque é que não possuis a verve dos Franceses
"E aspiras em silêncio os frascos dos meus sais?
"Porque é que tens no olhar, moroso e persistente,
"As sombras dum jazigo e as fundas abstracções,
"E abrigas tanto fel no peito, que não sente
"O abalo feminil das minhas expansões?
"Há quem te julgue um velho. O teu sorriso é falso;
"Mas quando tentas rir parece então, meu bem,
"Que estão edificando um negro cadafalso
"E ou vai alguém morrer ou vão matar alguém!
"Eu vim- não sabes tu? - para gozar em Maio,
"No campo, a quieteação banhada de prazer!
"Não vês, ó descarado, as vestes com que saio,
"E os júbilos que Abril acaba de trazer?
"Não vês, como a campina é toda abalsamada
"E como nos alegra em cada nova flor?
"Então porque é que tens na fronte consternada
"Um não-sei-quê tocante e de enternecedor?
E eu só lhe respondia: - "Escuta-me. Conforme
"Tu vibras os cristais da boca musical,
"Vai-nos minando o tempo, o tempo - o cancro enrome
"Que te há-de corromper o corpo de vestal.
"E eu calmamente sei, na dor que me amortalha,
"Que a tua cabecinha ornada à Rabagas,
"A pouco e pouco há-de ir tornando-se grisalha
"E em breve ao quente sol e ao gás alvejará!
"E eu que daria um rei por cada teu suspiro,
"Eu que amo a mocidade e as modas fúteis vãs,
"Eu morro de pesar, talvez. porque prefiro
"O eo cabnelo escuro às veneráveis cãs!"

Lisboa, 1874.
Publicado na Tribuna, 1875.
Cesário Verde