terça-feira, janeiro 26, 2010

7

Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o outro.

By Mário de Sá Carneiro

quinta-feira, janeiro 21, 2010

implosão

farto o que sou, o que faço, o que vejo, o que oiço
tão farto que encho esta e ainda outra realidade.
grito para comigo o quão insuportavel tudo se tornou....ou me tornei.

Não caibo mais em mim,
nestas paredes ocas
neste vazio transbordante

Uma nova identidade é requerida é demandada
um novo ser, como se o ontem não tivesse existido
e ainda assim o amanha fosse inadiavel.


Uma nova maneira de estar
se quiser ser, a um novo despertar
um abandonar sem deixar saudades

Destruindo para isso a ideia que alguma vez se existiu
esquecendo os habitos e gostos
"a new reborn, demanding a new dawn"

Alguma vez acontecerá? ...

domingo, novembro 29, 2009

Sonhos

São pétalas, caules e flores
São campos de lezírias, são olivais
São sons dos que cantam, pardais
luzes de incandescencia iluminavel
sao as coisas simples, banais
vulgo da efemeridade
o deliciar de cada vontade
de cada movimento, de cada saudade
a espetacularidade no habitual
o feliz de quem possui felicidade
A simplicidade é a do sonho,
envolta na sua propria sobusta complexidade

sexta-feira, novembro 20, 2009

!

Já não a vejo...
Dor ou sequer agonia
Já não verei o dia de amanhã
que no tempo ja me sobejo
e amanha será tarde demais

olho, fixamente as flores, ja murchas
que secam, no veloz passar do tempo
que a mim me foge, e que quando o tento apanhar
sobra-me nas mãos apenas ar

e eu que pensava ser eterno
que o amanha nunca chegaria
dou por mim meio velho
meio morto de agonia

restam-me agora unicamente
duas metades de nada
o passado ja morreu
antes de mim, adoeceu
resta-me esta infinidade
este invisivel presente

domingo, agosto 02, 2009

As tampinhas.

Impressionante, eu nunca tinha pensado muito sobre o assunto, mas hoje finalmente vi como se desenrolou a ideia das tampinhas e da sua troca por material hortopedico.

Tampinhas

Tudo graças a uma enfermeira chamada Guadalupe e à Amarsul

quinta-feira, julho 30, 2009

No Entardecer dos Dias de Verão

No entardecer dos dias de Verão, às vezes,
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece
Que passa, um momento, uma leve brisa...
Mas as árvores permanecem imóveis
Em todas as folhas das suas folhas
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria...
Ah, os sentidos, os doentes que vêem e ouvem!
Fôssemos nós como devíamos ser
E não haveria em nós necessidade de ilusão ...
Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida
E nem repararmos para que há sentidos ...
Mas graças a Deus que há imperfeição no Mundo
Porque a imperfeição é uma cousa,
E haver gente que erra é original,
E haver gente doente torna o Mundo engraçado.
Se não houvesse imperfeição, havia uma cousa a menos,
E deve haver muita cousa
Para termos muito que ver e ouvir ...

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XLI"
Heterónimo de Fernando Pessoa


Férias!

segunda-feira, julho 20, 2009

40 anos e um dia depois da alunagem

Um dia depois de completados 40 anos da alunagem americana, deixo aqui alguns dados interessantes sobre a "corrida espacial":

Primeiro Satelite: Sputnik I (1957)
Primeiro ser vivo não humano no espaço: Sputnik II - Laika (1957)
Primeiro ser humano no espaço: Vostok I - Yuri Gagarin (1961)
Primeira mulher no espaço: Valentina Tereshkova (1963)
Primeiro país a chegar à lua: Luna 2 (1959)
Primeira orbita lunar: Apollo 8 (1968)
Primeiro ser humano na lua: Apollo 11 (1969)
Primeiro veiculo tripulado na lua: Apollo 17 (1972)
Primeiro veiculo não tripulado na lua, controlado da terra: Lunokhod 1 (1970)
Primeira estação espacial: Soyos (1960)
Estação espacial com mais tempo: MIR (1986)

Engraçado toda esta corrida multipartida, provocou grandes avanços na vida quotidiana, houve avanços até que foram uteis para o futuro como no caso do Lunokhod,
que voltou a ser utilizado como fonte de experiencia para a exploração de Marte, ou como o caso da MIR que voltou a ter forte impacto aquando da criação da estação espacial internacional.

Por fim fica aqui um belo poema sobre a exploração lunar:

Niels Armstrong pôs os pés na Lua
e a Humanidade inteira saudou nele
o Homem Novo.
No calendário da História sublinhou-se
com espesso traço o memorável feito.

Tudo nele era novo.
Vestia quinze fatos sobrepostos.
Primeiro, sobre a pele, cobrindo-o de alto a baixo,
um colante poroso de rede tricotada
para ventilação e temperatura próprias.
Logo após, outros fatos, e outros e mais outros,
catorze, no total,
de película de nylon
e borracha sintética.
Envolvendo o conjunto, do tronco até os pés,
na cabeça e nos braços,
confusíssima trama de canais
para circulação dos fluidos necessários,
da água e do oxigénio.
A cobrir tudo, enfim, como um balão de vento,
um envólucro soprado de tela de alumínio.
Capacete de rosca, de especial fibra de vidro,
auscultadores e microfones,
e, nas mãos penduradas, tentáculos programados,
luvas com luz nos dedos.

Numa cama de rede, pendurada
da parede do módulo,
na majestade augusta do silêncio,
dormia o Homem Novo a caminho da Lua.

Cá de longe, na Terra, num borborinho ansioso,
bocas de espanto e olhos de humidade,
todos se interpelavam e falavam
do Homem Novo,
do Homem Novo,
do Homem Novo.

Sobre a Lua, Armstrong pôs finalmente os pés.
Caminhava hesitante e cauteloso,
pé aqui,
pé ali,
as pernas afastadas,
os braços insuflados como balões pneumáticos,
o tronco debruçado sobre o solo.

Lá vai ele.
Lá vai o Homem Novo
medindo e calculando cada passo,
puxando pelo corpo como bloco emperrado.

Mais um passo.
Mais outro.
Num sobrehumano esforço
levanta a mão sapuda e qualquer coisa nela.
Com redobrado alento avança mais um passo,
e a Humanidade inteira,
com o coração pequeno e ressequido,
viu, com os olhos que a terra há-de comer,
o Homem Novo espetar, no chão poeirento da Lua, a bandeira da sua Pátria,
exactamente como faria o Homem Velho.

António Gedeão : Poema do Astronauta (Poema do homem novo)

De salientar ainda:
- Sergey Pavlovich Korolyov (Cérebro do programa espacial Soviético)
- Wernher von Braun (Responsável pelo desenvolvimento do V-2 Nazi, e posteriormente principal responsável do programa espacial Americano)
- Alexander Kemurdzhian (Responsável pelo programa espacial robotico Soviético)

sábado, julho 11, 2009

Pescador

I

Marinheiro que tanto mistério abrigas, observa o mar,
Na sua constante luta, entre duvidas e certezas num constante digladiar
E tu vais também oscilando entre a mentira e a verdade
De uma moeda, de uma mesma realidade
Varias entre um gélido calor infernal, que tudo liquefaz
E um frio, que de tão quente tudo gela tudo mordaz


II

Que oscilação, pensas, tão puramente pungente,
Tão louca e sem sentido, tão inconsequente

E voltas ao divagar, vacilas entre a mais fervorosa alegria
E um choro triste, penoso, e por vezes comovente,
Uma felicidade que na verdade é ausente
Quando se condescende ao suplicia da dor.


III

Que intempérie tempestuosa… Hoje o mar encontra-se revoltado,
Será apenas contigo pescador que se encontra zangado?
Sopra um vento forte que trespassa o espectro morto, feito de matéria inanimada
E tu balanças-te à sorte numa insegura corda bamba, sobre o cordel feito de nada
E de outra perspectiva, és ironicamente, és sarcasticamente controlado, pelos próprios
Fios, atilhos, baraços, linhas, guitas, redes, malhas, chama-lhe o quiseres
Manipulam-te como a um fantoche, uma marioneta
E ainda assim julgas-te capaz de escrever, escrita de poeta


IV

Embalas de novo numa frenética vontade, num infinito querer
E regressas em seguida ao mais singelo, não saber o que pretender
E como numa onda, leva-te o mar a um sábio e profundo saber
E retorna-te em seguida à ignorância ou frustração, à insipiência, talvez ao ser


V

E tu bem sabes, que no momento em que o silencio voltar
Em que a tua constante duvida que se confunde com a do mar
Quando a mesma for resolvida, dissipada, respondida
Ou terás chegado a bom porto, ou parte integrante dele serás
Sim, do mar, desse que está tão ruidoso e zangado, tão irado
Mas nessa altura, tal como tu, estará silencioso e sossegado
Envolto em mistério, calmo, tranquilo e calado.

sexta-feira, julho 10, 2009

Marasmo

Deambulo entre o sentido do sentir
E a falta do mesmo em tudo o que digo
Alterno entre o triste, desconsolado
O frustrado, o solitário, o inanimado

Sinto-me cansado, como se transportasse um peso
Que não suporto aos meus ombros
Levanto-me na tentativa de não deixar morrer
O gesto que tenta alcançar-me

E em seguida fecho os olhos e deixo-me diluir
Perco o ser ou o sentir algures,
No acto de tentar vislumbrar-me no vazio
Fecho os olhos e subitamente desfaço-me
Diluo o que sou na realidade que me rodeia

E ou morri, ou de certo que me perdi
Já não sei quem ou o que sou,
Nem que limites me definem
Se é que alguma vez me defiram

Não sei o que hei-de sequer procurar
Sei simplesmente que não reconheço
Aquele que observo no reflexo
Não sei quem és, ou quem sou

E não, não é amnésia do que sofro
Apenas da falta de identidade que me defina
Ou que me redefina que esta não a reconheço
Nem pretendo sequer tentar sê-la, estou moribundo.


Bom fim de semana

quinta-feira, junho 25, 2009

:-) --> I hope

Deixa que me regozije mais uma vez com o teu olhar
Deixa que fique aqui em lugar distante neste deleite
Neste sonho de mil desejos, neste ébrio amar
Ouvindo o teu segredo ao meu ouvido segredar
Palavras de amor, carinhos audíveis, suaves delícias agoiras
Deixa-me ficar, só mais um pequeno momento,
Que aqui não chega aqui o tempo, o divagar das horas
Entre as nuvens de sonho perco o corpo, e quase a alma
Perco definitivamente o ser, o nervoso e a calma
No flutuar, no pensar infimamente o pormenor, no devaneio
Em lugar incerto da minha imaginação, vejo-te outra vez, vagueio
Outro deleite, outro palpite do coração

E deixa, deixa que te toque com suave toque de uma pena
Deixa que te beije como quem beija flores de açucenas
E mais uma vez me perco, no delírio de tais cenas

vem só mais um pouco, um pouquinho pequenino
que não te quero perder para outros, perder para o mundo
que aguarda impaciente lá fora
não desculpes a fuga, também eu já quis fugir
mas cansei-me de maldizer tudo, e não sair…

ri-te que o teu riso encandeia o mundo
mesmo o abismo mais profundo
ri-te que me trazes À memoria o sabor da alegria
e volto eu, espero que contigo, para outra fantasia
nesta quase imaculada estoria

vem não me deixes só, não dês à solidão
poucas que sejam as razões para aparecer,
que por vezes me faz refém e me cala o falar
que me deixa louco, sem saber o que dizer
vem não me abandones, nem em fantasias
que a sofreguidão foi muita por muitos dias

e repetindo o gesto, volto ao “toque suave de um beijo”
não sei onde ouvi tais palavras, tão proféticas
ou talvez elas mesmas suaves, talvez simplesmente poéticas
desvanece-se o espírito, derrete-se lentamente com o bailar do desejo

havia tanto tempo, passaram-se tantos mundos
tantos momentos mortos, tantos sofreres profundos
desde a ultima vez que senti alguém assim,
talvez encontre a felicidade por fim

sábado, junho 20, 2009

Porque acabaram os testes e vão agora começar os exames, e porque isto parece correr de mal a pior:

A vida vai torta
Jamais se endireita
O azar persegue
Esconde-se à espreita

Nunca dei um passo
Que fosse o correcto
Eu nunca fiz nada
Que batesse certo

E enquanto esperavas
No fundo da rua
Pensava em ti
E em que sorte era a tua
Quero-te tanto! Quero-te Tanto!

De modo que a vida
É um circo de feras
E os entretantos
Sao as minhas esperas

Nunca dei um passo
Que fosse o correcto
Eu nunca fiz nada
Que batesse certo

E enquanto esperava
No fundo da rua
Pensava em ti
E em que sorte era a tua
Quero-te tanto! Quero-te tanto!

De qualquer maneira depois da analogia, só falta o quero-te tanto, de resto os passos não são os correctos, os azares perseguem-me e escondem-se à espreita, e a vida vai entortando sem jamais se endireitar... E eu vou-me fartando


por falar em fartar:
"o tempo está quente,
jamais arrefece
e dar um mergulho
é tudo o que me apetece"
lame lol

quarta-feira, junho 03, 2009

...ha momentos assim

Estou amorfo, e do que sou, apenas mero esboço;
Monstruoso, no pensar, moribundo por sentir algo mais
Bato-me em divagações contínuas, vagas e de puro esforço
E do vazio em que me encontro, ecoam apenas mudos sinais

Amaldiçoo tudo e todos, nos becos que de silêncios se encharcam
Cheios dessa podridão, dessa escoria que vai tornando vil o seu peso
A mudez pesada, a promíscua paz, os silêncios… Que a todos os seres ultrajam
Abomino essa minha simples abominável, abominação que tanto odeio e desprezo
O ser, o sentir, o toque, o pensar, o ver, o gostar, malditos sejam.

Volto as costas ao mundo e aos que ensurdecem esta existência,
No ímpeto fecho os olhos, explicito a minha ira, o meu ódio com toda a violência
Retiro a faca e corto, a cada movimento mais um pouco do que vai sobrando
Mais um pouco da réstia, da besta que sinto morrer e vou calando.

Termino na impetuosidade do momento, com todo o asco, com todo o rancor
Que a vontade finalmente foi satisfeita, morro sem morrer de sequer com dor
Que mais vale o eterno dormir sem alguma vez sonhar,
À suposta vida, ou existência lamentavelmente ensombrada pelo contínuo azedar

sábado, maio 30, 2009

Por aí



Grande Concerto! do inicio ao fim



Original: Jimmi Hendrix
Contudo eu gosto mais desta versão (embora lhe falte a letra)

terça-feira, maio 05, 2009

Preciso Me Encontrar



Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar...

Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...

Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...

Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Sorrir prá não chorar
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...

Creditos:
"Preciso Me Encontrar"
Written by Candeia
Performed by Cartola

quinta-feira, abril 23, 2009

Sonho, com o rio e do mar uma nascente
Com a arvore, dela o fruto e a semente
Sonho distante, sonho o mundo
E o seu ensejo, o mais profundo

Talvez desejo ardente
Possuir-te devagar, calmamente
Depois excitante, fervente
O amor... acto amado que é da gente

E sem falas, ou palavreado
Vou-te tocando suavemente
Vou levitando, teu corpo alado

Enrosco-me em ti, estando tu ausente
Só o percebo já depois de acordado
No meio do rebuliço e do emaranhado

segunda-feira, abril 06, 2009

Me monster

Cega, por ser obcecada, é para além de mim
A raiva, que no seu dito esplendor, me venda
E surda é também, cá dentro de mim
A suposta razão que não passa de mito ou lenda

Já para tratar a insipidez e a indolência
Evoco a imaginação que me degusta,
Que me aprisiona em toda a sua demência
Faço-me tamanho monstro que até a mim me assusta

E se pensais que posso ter alguma sensibilidade
Não vos enganeis, nem inventeis meia verdade
As mãos que possuo, servem apenas para vos avisar
Deste dito demónio que me é impossível parar

De qualquer forma, são insensíveis a tudo o que seja demais
E também sem contar, com o instrumento de escrita, e pouco mais
Tocam apenas o vazio, ou em dias de sorte o mais fino ar
Que de resto, nada mais pode tocar, diga-se até conspurcar

Já não sinto absolutamente nada, nem alegria nem dor
Nem arrependimento, nem frio e nem calor
E no que seria, suposto de alguma forma sentir…
Eu sou céptico e não acredito em quem me possa mentir
Por isso calai-vos, raiva, razão, calai-vos todos, até eu e o meu ego
Ignoro-vos, fecho os olhos, viro a cara, fico surdo, fico por fim cego

É hora da tranquilidade, de fechar tudo, é hora de dormir
Ninguém saberá quando acordarei, talvez tenha passado a hora de partir
Contar-vos-ei para terminar um ou dois segredos
Esta noite, vou sepultar a minha loucura, vou enterrar os meus medos
Para que nunca mais os encontre, para que não mais os reconheça
Vou ser meu herói, independentemente do que daqui por diante aconteça.

terça-feira, março 31, 2009

Esquisito

Ouvi dizer:
Que os serões de inesgotável animação acabaram
Terminaram as histórias, das mais mirabolantes, às mais enviusadas
Como se fontes fossem, subitamente secaram
Todas elas infinitas no seu enredo e de perfume incomparáveis
Interromperam-se as esperanças incluindo as mais infundadas

E penso:
Para comigo, será que somos mesmo imortais,
Vivendo outras vidas para além desta?
Por outro lado, será que somos sequer racionais?
Quando questionamos as formas e usos mais banais
E em seguida acreditamos em histórias como esta…

Vou dizendo:
Para comigo, não questiones na óbvia esperança
De alcançar a toda a questão uma resposta, como fiança
Não perguntes para que outros te sigam as pisadas
Fá-lo, mas porque te questionas e duvidas das lógicas infundadas

E repenso...
Eu não vivo sob a intempérie de ódios profundos
Espero por outras chuvas, aquelas que me diluem
E que sem notar me elevam e transportam a outros mundos
E vou na corrente, com as gotas que nela fluem

Solidificando:
Mas não desejo mal de mim a outros, aos demais
Vou-me apenas servindo como posso, do meio inconstante
Sem grandes promessas e planos do hei-de fazer daqui por diante
Vejo o meu modo, como se de uma taça de vinho se tratasse

Encho e vazo:
So som da maré que me vai chamando
Encho e vazo, consoante a secura que a boca aflige
Encho e vazo, sem nunca estar cheio ou vazio, vou-me moldando
vezes sem conta, a imaginação trucidada que não se corrige

E no gesto que faço vezes sem conta, em gestos quase contínuos
Vou destilando a cada um deles as sérias e patéticas preocupações,
E vou lavando lentamente, vou vaporizando e acalmando as tempestuosas emoções
Vou deixando na taça o meu antagonismo, e o meu pessimismo
Vou diluindo e desbotando o meu ser, o ego que é meu
Vou escondendo nos entre folhos o meu lado mais obscuro
esse que é tão mau e difícil, de ideias fixas, é o que na consciência seguro
E no por fim pergunto, já longe do ser, quem sou eu?
Se a taça que se enche e vaza ou o vinho envelhecido pelo derrotismo.

segunda-feira, março 23, 2009

Absurdo

Sinto nas palavras a falta de contexto
O desnexo e a sua falta de sentido
E por vezes nem consigo conter
Nem detenho o acto irreflectido
De em voz alta as dizer.

Sinto na vida que tenho, a falta de tempo,
O absurdo que aos poucos transforma o meu ordinário,
O sentir repetidas vezes, quase desnecessário.

Sinto no ar que tento respirar,
A sua quase total ausência
Que me vai estrangulando na sua inexistência
Que me vem a cada novo inspirar sentenciar

E também sinto no espaço que ocupo
O aumentar claustrofóbico da minha vontade
O espaço já de si diminuto
Restringe ainda mais a sua pouca disponibilidade

Sinto no que vejo, observo e admiro
Um não sei quê de mentira ou falsidade
Um afrontamento e por vezes a falta de verdade
Não sei que absurdo é este, mas ao que disse nada retiro

Sinto em meu redor mais do que de mim
Sinto a acomodação a outros costumes
Um entender da eternidade que não cabe em mim
Uma satisfação por poder testemunhar dias assim
Imutáveis no conteúdo, vazios de jovialidade
Mergulhados em absurdo e escassa autenticidade

E por fim sinto-me agora frio quase a congelar
Sinto-me triste, abatido quase ao ponto de chorar
Sinto-me aqui e ali, algures a pairar
Rodeado de gente
Satisfeita, orgulhosa e contente
E eu insatisfeito reúno a amargura e a solidão
Para o fúnebre enterro do próprio, que não vê noutros a razão

sexta-feira, março 20, 2009

Silencios

o silencio que a todos ofereço
não é por simples motivo , sequer é inibição
é talvez porque não tendo que dizer, eu já nada confesso
e as palavras perdem por vezes o seu sentido, a sua razão
por vezes as palavras por mim ditas, perdem o seu apreço

E como tal desabituei o falar, o conversar
o partilhar de historias, e até de as contar
esqueci como dizer o que sinto
e por vezes na fuga de tal, até minto

e no sepulcro em que me encontro habitualmente
vejo o mundo lá fora... comigo dele ausente
e assim observo todos os movimentos, de toda a gente

e se por ventura me demorar
se me perder num qualquer lugar
é simplesmente porque terei encontrado alguem
sem palavras ditas à mistura,porque porem
falarei horas a fio, simplesmente pelo olhar

quinta-feira, março 19, 2009

vazio

farto o sentido do viver
o contemplar do envelhecer
farto o mundo e tudo o que nele existe
tudo odeio até as palavras que proferiste

e calado oiço o ruido em volta
escuto os risos e gargalhadas
vejo as conquistas e as vidas derrotadas
e em todas elas vejo a minha revolta

tomo em conta a opção do suicidio
a morte da mente o fim do delirio
tento convencer-me, a morte nunca foi solução

é um fim e também esse não tem qualquer razão
Sinto-me mais uma vez perdido ao acaso e sem rumo
e é tal o vazio que é impossivel seu inumo

Piano...

Hoje ouvi um piano e tocou-me de forma tão eloquente
Disse-me mais do que uma pessoa, diss-me sobre o que não fala a gente
Procurava ele de forma incessante as notas soltas de uma melodia
Procurou-as com convicção noite e dia

O sossego e tranquilidade seguiram-se por um energético pulsar
das suas teclas tão obstinadamente marteladas
Ao leve toque ou ao compulsivo bater, afinadas
quase impossível de seguir o ritmo conturbado,
e seguia-se o retorno ao tom mais sossegado

elevando-se em seguida à altura que distancia o corpo da respectiva alma
e a transportar-me a sentimentos que transportam sempre algo mais que simples calma
e em todo o caos orquestral do momento, no meio dos violinos, violoncelos
entre trompetes, trombones, fagotes, flautas, oboés e clarinetes
marca a sua presença neste quase jogo de marionetes.

agora oiçam-no taciturno...
veloz, melódico e ofuscante
pára... e regressa marcante
assinala toda a música
marca o ritmo
eleva a insustentável leveza idiossincrásica
desaba e renasce
alegra e entristece
morre, ressurge e regressa
a cada bater, a cada teclar
do mais forte ao mais suave
do mais audível ao mais ensurdecedor
esbate a tristeza, milagre quase da natureza
mata a doença afasta qualquer dor,
a cada bater, a cada teclar…
cessa a música e a eloquencia
finda o som, só não a minha demencia
enlouqueci, sem notar.

terça-feira, março 17, 2009

obscuridades

esgueira-se aos poucos a vida
e com ela o riso e a vontade
toda a felicidade até a não tida
extingue-se a mentira e a verdade
sume-se a fome e a fartura
o sonho a fantasia e o devaneio
o amor sequer a tortura
o ser proprio até o alheio
no final apenas o vazio
contido em linhas de um ébrio
ou talvez alucinado sombrio

morte tras-me na alcova o aconchego
que à tanto a que não chego
tira-me o tapete e cairei contigo
mata-me somente que suporta-la não consigo

segunda-feira, março 02, 2009

Solitude!

esqueço o tempo e a vontade de lembrar
esqueço minutos e esqueço horas
esqueço que ha um mundo la fora

e à medida que o corpo se vai dissipando
em todo o espaço envolvente, em todo o redor
quase me esqueço até que existo tão só

e aqui sozinho, que ninguem sabe deste lugar
partilho segredos e outras tantas vontades
mostro-me quem sou, para que não o esqueça
e por fim cuido toda e qualquer ideia que floresça neste jardim

e penso no facto de que a solidão por si é um mundo
que me envolve e me rodeia, que me cerca como uma teia
e neste pesado silencio observo-a, que so ja se ouve o meu pensar
de tanto a olhar, finalmente posso afirmar que o isolamento é abismo deveras profundo

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

cansado

Mais um segundo passou
No relógio que me assombra no seu bater
E o sentido ainda não despontou

Mais um minuto a caminho de enlouquecer!
Sem que tivesse sequer desviado o olhar
O tempo não pára nem nos deixa sossegar

Chegam as horas, e o tempo de me animar
Já não tenho porque temer, nem porque chorar
A vida continua ao seu ritmo parando a cada impulso

Passam dias sem pressa e ainda assim a correr
passam semanas sem que saiba o que realmente querer
Sequer sei porventura o que hei-de fazer

Um ano já passou
Desde que comecei a escrever
E não alterei quem sou
Também não descobri que quero ser
Continuo à deriva, sem rumo e sem caminho
Sem ainda saber para onde vou
Sei apenas que não andarei sozinho

outro tempo mais vasto passou
E as preocupações não deixaram de me atormentar
e o tempo não deixou de me tentar a cada passo matar
mas mesmo com tanto tempo, o tempo não me ultrapassou
porque no fundo eu sou feito de tempo
e nem eu conheço quem sou.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

Esquecimento vicio, defeito ou doença?

O esquecimento é doença ou talvez defeito, sempre dolorosamente sentido!
Verdade, que não doi quando irremediavelmente se esquece,
mas simplesmente quando alguem se lembra do esquecido
eis senão quando toda a desgraça acontece!

E o pobre do cronico esquecido
em muito pouco tempo embrutece
quando todos lhe ditam ao ouvido
Isto e aquilo "Francamente nunca se esquece!"

nos dias que correm de tudo eu me esqueço
e muito sinceramente não sei se tal castigo mereço!
para terem uma ideia, eu esqueço-me mais vulgarmente do lembrar
eu esqueço-me do que tenho feito e ate do que tenho para fazer

esqueço isto e aquilo, esqueço o mundo e o pensar
por vezes até me esqueço meramente de esquecer
hoje por exemplo esqueci-me de dormir, mas nada o fazia prever
para não falar quando esqueço que o tempo não tem sitio onde parar
e perco horas perdido, a esquecer as horas a passar
Involuntariamente infelizmente até forçosamente ja me estava a esquecer...
quando o pior acontece e me esqueço simplesmente de viver

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Estado...

quem me dera como o ceu conseguir fazer
e num momento simplesmente poder desabar
pois no sitio onde me encontro ninguem me pode ajudar
mas algo mais forte que eu, tal impede de acontecer

para mim o tempo perdeu o seu significado
o meu cerebro desacelarou a sua velocidade
e não voltara tao depressa por sua vontade
nao sei mais que faça, sinto-me amaldiçoado

e nesta solidão em que me encontro perdido
complemento apenas a paisagem com outro vazio
e na desolação invento, na ruina até o choro aluvio

tento à minha regularidade regressar
e nas tarefas rutineiras tento-me acalmar
mas nem o pranto ou seque a saudade se têm esbatido

...Avós

choro convulsivo e desabrido
Que as lágrimas nem deixas sair
triste sentimento de culpa ou apenas de sentir
até a memoria foge, em momento tao sentido

A cada meu suspiro, a cada meu pesar,
recordo-te em vida
que a morte é pensamento dificil de suportar
ou sequer simplemente de pensar
tenho até a consciencia combalida

e não sei ja que faça, sinto-me e vejo-me já perdido
e não sei já que pense, sinto-me tão abatido
não percebo tal razão da vida, tão insolente
não entendo porque ta roubaram, tao repentinamente

e no sofrimento que felizmente não atravessaste
foi mais pobres e mais sós que nos deixaste
o pior de tudo foi a companhia que desta nos levaste

Mas se o que dizem é verdade
imortais sao aqueles impossiveis de esquecer
e da minha jamais sairão, por minha vontade
lé etermamente viverão, e isso é algo que nem tenho que prometer

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Aos avós

choro convulsivo e desabrido
Que as lágrimas não deixaste sair
triste sentimento de culpa ou apenas de sentir
até a memoria foge, em momento tão sentido

A cada meu suspiro, a cada meu pesar,
recordo-vos em vida
que a morte é pensamento dificil de suportar
ou sequer simplemente de pensar
tenho até a consciencia combalida.

e não sei que faça, sinto-me e vejo-me já perdido
e não sei que pense, sinto-me tão abatido
não percebo tal razão da vida, tão insolente
não entendo porque vos a roubaram, tao repentinamente

e no sofrimento que infelizmente atravessaram
foi mais pobres e mais sós que nos deixaram
o pior de tudo foi a companhia que desta nos a levaram
Mas se o que dizem é verdade
imortais são aqueles impossiveis de esquecer
e da minha memória jamais sairão, por minha vontade
lá etermamente viverão, e isso é algo que nem tenho de prometer
A vossa falta, é tão presente, que a promessa se torna realidade....

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Amor?

Amor… Não é uma obra poética
Sequer arte, ou possui qualquer forma simpática
Amor não tem que ser, nem é perfeito
Sequer é lírico, e nem à beleza está sujeito

Amor não é soneto, nem poema de amor é amor
E não, mesmo sendo injusto, não é exclusivamente dor
Diria claramente e ironicamente, é amorfo na sua estrutura
E amor não é sinónimo, sequer aparentado de doçura

1- Insolvente, cruel e muito possivelmente prática demente
1- Não necessariamente triste, e não, não simplesmente um sentimento
1- É ainda assim desprovido de qualquer racionalismo

1- Amor é simplesmente, de forma pungente… talvez semente
1- Fonte de inspiração até de algum… romantismo, claramente extremismo
1- Faca de dois gumes, corta todo o caminho, até de quem dele é claramente dependente

2- Insolvente, cruel e muito possivelmente prática de demente
2- por vezes ainda, arrebatador. E outras tantas deprimente
2- É ainda assim desprovido de qualquer sentido de razão.

2- Amor é simplesmente, de forma pungente… Talvez semente
2- Rio cheio de água, água fluente, forte é a corrente...
2- Amor é uma doença, é traiçoeiro mas fundamentalmente finda na imensidão.

Historias de tempo

Atropela-me o tempo, na sua vontade
e passam as horas de mais um dia...
atropela-se o sentir e a saudade,
e vejo ao longe o fim da ínfima chama que então ardia

Longo o caminho, maior talvez seja a distancia
Extenso o percurso, desd'a tenra infância
passaram anos e anos, sem me lembrar
De tal saudade, sem simplesmente me recordar…

Não que viva nas memorias,
mas fazem-me falta tais historias
os sons de outrora e até o viver

Recordo as mágoas e as alegrias
as inibições e outras tantas ousadias
recordo tudo mesmo o futuro, até me recordo morrer.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

relutancia....

não quero sentir
o mal que me fazes e que se acentua…
não quero ouvir
os ecos de vozes que não a tua

não quero acordar
nem me pretendo da cama levantar
não quero sonhar
e farto o que quer que possa calhar

deixem-me desgarrado
deixem-me só e abandonado
quero simplesmente a atenção focar
quero simplesmente deixar o pensamento a dilacerar
o cansaço que me vai apodrecendo
que me vai matando e corrompendo

Mas infelizmente o cansaço não é o pior
A tua indiferença e esquecimento
mói todo o meu sentimento,
E sem que te apercebas vai-me demolindo o interior…

E eu bem me apercebo e até sei
Que desprezo, ou indiferença, também ta dei
Mas… a tua inalterável fuga, em constante ensejo
Levam até a que vá bem contra o meu desejo

E sou assim obrigado até a dizer um “desculpa”
Mas penso que o teu comportamento incorre mais inculpa
Mas não vou agora embarcar em acusações

Espero em breve poder rever
A tua face, o teu esbelto ser
Não me desapontes, não me despedaces em mil porções

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Dedicado a alguém....

Dia Mau
Ornatos Violeta

Composição: Indisponível

Não quis guardá-lo para mim
E com a dimensão da dor
Legitimar o fim
Eu dei
Mas foi para mostrar
Não havendo amor de volta
Nada impede a fonte de secar
Mas tanto pior
E quem sou eu para te ensinar agora
A ver o lado claro de um dia mau

Eu sei
A tua vida foi
Marcada pela dor de não saber aonde dói
Mas vê bem
Não houve à luz do dia
Quem não tenha provado
O travo amargo da melancolia
E então rapaz então porquê a raiva
Se a culpa não é minha
Serão efeitos secundários da poesia

Mas para quê gastar o meu tempo
A ver se aperto a tua mão
Eu tenho andado a pensar em nós
Já que os teus pés não descolam do chão
Dizes que eu dou só por gostar
Pois vou dar-te a provar
O travo amargo da solidão

É só mais um dia mau

quarta-feira, janeiro 07, 2009

infelizmente o tempo nao pára

quem dera o tempo gelar,
que fosse por um momento
para te ver vezes sem conta, ali ficar
no tempo parado, saborear cada elemento

e no mundo, ja em movimento
retiras a particula que vestes
e a minha imaginação até despes
na tranquilidade de um unico sentimento

volta-se o tempo a gelar
e observo assim o que é a perfeição
observo a beleza que vestes, sem a retirar

saudo o esbelto instante, a ocasião
sentir assim o mundo tao insignificante
aliviando enfim a minha tristeza tao marcante

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Vincos

quem me dera carregar no reset, e apagar a memoria
nao pretendo mais continuar esta historia
peço que se cale de uma vez o orador
que já não suporto, este amor
peço que troque a historia
que assim morrerei sem qualquer gloria
ainda não passou de meio…e eu já lhe conheço o final
é historia contada, é repetida e normal

a resposta da pergunta nunca feita
é sempre um não na cabeça idealizada
é como se fosse receita
de sabor amargo, e quase finalizada

quem me dera inequivocamente esquecer
até do facto de simplesmente existir
quem dera terminar, tão somente o ser
ou tomar droga tão potente,
que me retirasse o amargo e quase eloquente
feroz, sereno e essencialmente sadomasoquista sentir

que me obriga a carregar
no ventre o nó irremediavelmente vincado
que me obriga a transportar
o coração que nem com punhos seria tão ousadamente apertado
como dantes diria, é triste viver sem ser amado
mas mais ainda não conseguir esquecer quem nos tem magoado



(Claramente um excelente inicio de ano)

terça-feira, dezembro 30, 2008

desatino

Depois do nevoeiro se dissipar
Encontro-me sozinho, a olhar
O estrago que o gelo não deixa reparar
Da ténue barreira que do abismo me está a separar.

E o nó que me vai torturando,
O quanto sofro em silencio, me impede sequer de to dizer
Deixa-me perplexo e a pouco e pouco vai me secando,
Não o amor que ao papel confesso, mas vida e o viver.

E sei que estou na delicada linha da depressão
E a cada segundo que passa ela pára, o coração
Para logo a seguir ele voltar, no regresso da tua recordação

E não pretendo ser sistemático, ou sequer tornar a coisa doentia
Mas o engasgo é grande, e tem forte ousadia
Tal que pára as palavras, até a forte embalagem do rio ele torna estada
Tal que gela sob o nevoeiro e regressa a cada duvida suscitada

Serei triste ou amado?
Posso-me considerar feliz, ou abandonado?
Alguma vez me sentirei simplesmente consolado?

E sem teu sinal, que por vezes tarda em aparecer
Sinto-me até agoniado de tanto sofrer
Mas não posso desanimar,
E precipito a imaginação, para que comece a trabalhar

E não vejo outrem senão a ti, em belo lugar
Acompanhada por mim e mil beijos, que assim não custa sonhar
E penso para mim, como serão teus lábios no beijar
Teu carinho no abraçar
E não que questione, mas, como será teu amor, no amar.

Sôfrego, anseio em tanta dor
Deliro sozinho, desvairo o amor
Fecho os olhos e…E volto a olhar-te a cada momento que te vi
Recordo os olhos, a boca, o nariz, cada traço vejo ao pormenor,
Os gestos, os silêncios, e sobretudo as conversas…
E a embora longe, ou talvez não, vejo-te vezes em conta, simplesmente a ti
Em todos vejo um reflexo de afecto, reflexo encantador
Suspiro, Soluço, sem vir a chorar
Não que a vontade não chegue, é simplesmente demasiado a lamentar

E bem sei que o amor é doença
Alienada a toda uma só crença
A de dar, mais que receber
A de amar, ser forte a ponto de tudo sofrer
E ainda assim ter força suficiente apenas para crer…

Tal virose me corrói como se me afundasse
Sem que eu nadar sequer soubesse, e me afogasse
Empurra-me para a profundeza,
Longínqua agora que falo, da própria tristeza

E a tal distância volto os olhos a abrir
E lá no fundo, quase em sonho, vejo
O meu amor outra vez a florescer, e volto a sorrir
Vejo-te acenar, a dizer adeus…Quem dera soubesses meu desejo
E a outro em seguida te juntas na agonia do meu destino
Já nem sei se durma…Ou sequer que faça, que desatino
e no silencio das tuas expressões,
Vejo o espelho da minha agonia,
Que arde sem parar, qual lava de vulcões
Como o amor que sinto, em profundidade sombria
volto a ansiar, para te olhar, e simplesmente questionar
e para ao mesmo tempo espero, me poder alegrar…
No final crepuscular,
Já quando o sol, começa a fraquejar
Açoita o grilo o silencio do quase luar,
Que ainda não é chegada a demora nocturna
Apenas o frio se apressou na abordagem
E em toda aquela quietude, sente-se a taciturna
Aquela que nunca se quer atrasar, excomungada solidão…
E em tal paisagem, contemplo a tua miragem
que o amor hoje não me apaziguou a exaltação
Nem me serviu sequer de consolo à frustração
E depois de decidido a tentar esquecer
Vem o pensamento a negar tal querer

Já a noite vai longa e eu disperso no sentir
Já não sei se foi a noite que me congelou com o ar gelado
(Se tu com a indiferença com que fazes tal rumor se ouvir )
Se tu com a indiferença que o meu querer jamais pretendia ouvir
Tenho agora a cada instante o coração, ora exaltado ora parado
Que ele mesmo vai contando os minutos até que o silencio se despedace
E para minha infelicidade
Nada nem alguém parecem querer saciar tal saudade
E era apenas esse o sonho que eu pretendia que alguém sonhasse
E depois de decidido a tal paisagem esquecer
Vem o pensamento a negar tal querer

A manhã ainda não raiou, e ainda se faz noite
Ocorrem-me mil pensamentos, um pensar afoite
todos com o mesmo nome, o mesmo ser
todos me dão esperança, me fazem crer
E depois de decidido a acreditar
Somente tu, tal poderás negar

domingo, dezembro 21, 2008

Sonhei hoje um mundo tão diferente
Onde o paraíso, já não mais é somente uma miragem
Está presente, em ti em mim, em toda a gente
Apenas à espera em todos nós de um pouco de coragem.

E quando tal acontecer,
Quando perder o medo e nele realmente crer
Verei depois de ter acordado
O mundo à janela do quarto… O mundo muito mudado
Em toda a parte, em todo o lado

As pessoas olham-se com respeito e igualdade
O ar fica mais leve, e respira-se agora tranquilidade
(o mundo é agora uma enorme fraternidade)
E nos olhos… Talvez seja bondade, senão é em absoluto sinceridade

E tal realidade apenas escasseia de coragem
A felicidade fica a dois passos… É pequena viagem
Abram os olhos, acordai do amorfismo, da vossa verdade
E vejam comigo um novo mundo a aparecer… Acorda Humanidade!

Nota: lol estava contente, se quiserem até feliz :)

segunda-feira, dezembro 15, 2008

...

Quando uma ideia passa muito tempo na cabeça de uma pessoa
Ou será uma grande ideia, ou desgraçado aquele a quem atraiçoa
De qualquer forma, se uma ideia fica apenas em pensamento
Corre o risco de se tornar tormento,
Corre o risco de ser perder a qualquer minuto no tempo
E mesmo na própria mente, ela vai desvanecendo
Vai-se a pouco e pouco perdendo.

Mas eu não pretendo equivocar, sequer perder ou esquecer
Não a ideia que na mente está alojada
Mas a pessoa a quem representa
Que o pensamento já nem me alenta
A cada instante penso nela
E como adivinham, não há ideia mais singela

Mas com tanto ocupado, falta-me espaço para a reflexão
Sim, que nela penso noite e dia,
No que dizer, no que deveria ter dito ou feito, no que deveria…
Mas não vem à ideia, o vislumbre da solução
Por outra, até vem, mas…tudo me parece fútil
Tudo me parece lamechas, triste e até inútil

É falta de outra coisa, é falta de coragem
Não sei se tenho mais receio do não,
ou se da positiva afirmação…
Circulo em pensamento, por todo o lado sem paragem
Passo mil vezes as ideias pela cabeça, e todas têm defeito
Tudo deturpo, já nada é perfeito
Nem sei se há pergunta a fazer
Até a pergunta me soa a pouco pertinente
E muito, mas mesmo muito sinceramente
Não sei onde estou nesta historia, não sei o que fazer.

A certeza para já é só uma, não me sais do pensamento.
E também não pretendo sequer que o abandones,
Mas não desejo, que passes a tormento.
Eu adoro-te realmente, só não to consigo expressar,
Quer por palavras, sequer por gestos, não o consigo explanar
Mas é também certo que tenho que fazer algo que já deveria ter feito
A pergunta a fazer, até é simples, e nem precisa sequer ser igual
“Queres espantar a penumbra e a solidão que trago ao peito?”
Basta que a oiças, que lhe respondas, e será encontrado o estado final
Solução irreversível, quer para o bem, quer para o mal

terça-feira, novembro 11, 2008

...

Hoje de todos os dias,
Será talvez o único em que não pretendo fantasias.
Não pretendo hoje embarcar no devaneio
Pensar por via da ficção, ou sonhar qualquer sonho sorrateiro.
A esperança é grande, mas maior será ainda o receio
E a meio termo reside alguma possível desilusão
Não que seja de ti emanada. Compreende, é simplesmente frustração
De não te conseguir dizer, tanto quanto tenho para descrever
E sem sonhos ou qualquer ilusão, gostava de começar
Por coisas simples, que não pretendo complicar
Começaria então… Pelo silêncio, quebrar….

‘Não sei como te direi…
Não sei onde a coragem desencantarei
Não sei como o farei…’

Se eu te disse-se que era, Amor
Talvez, simplesmente não acreditasses.
Dir-te-ia, que era alegria e ao mesmo tempo dor,
E provavelmente, apenas desconfiasses.
Se eu te disse-se que é sofrimento e felicidade
Não te mentiria, apenas diria a verdade
Mas é difícil de atingir tão grande sinceridade



Não que queira esconder-te algo tão sofregamente real
Não pretendo, amor, esconder-te sequer o meu ser, a minha timidez
Mas pretendo dizer-to com todas as palavras faladas a boa voz e com alguma sensatez
Dizer-te talvez uma e outra vez, que te amo sem igual
E na hora da suposta verdade pretendo tudo contar
Claramente nervoso, possivelmente de voz trémula, mas sem gaguejar
E se fizer promessas de para todo o sempre te amar
Não leves a mal… significa apenas que perdi a voz e que fala agora a vontade
Que em ti encontrou a sua irmã metade.

segunda-feira, novembro 03, 2008

.....a alguém

As caricias que me fazes,
Nas noites que me aprazes,
São carinhos, que trazes
Das linhas que na vespera escreveste,
São caricias presentes nas tuas frases
E assim, mais uma vez de mim não esqueceste
Não me deixaste subjugado à solidão
Não me abandonaste sozinho na escuridão...

E eu que mais que monosilabas gostava de te dizer
acabo por me ver vergado
A algumas afirmações
e outras tantas vagas negações
Que não deixam transparecer
O que vai cá dentro, deste lado
O que sonho, o que sinto, e o que tenho imaginado

E, por falar da dita imaginação...
não custa relatar pouco que seja sobre a questão,
se dela depende-se...e retirando um ou outro dia,
que tristes, todos temos que ser,
nem que seja para melhor saborear a alegria.
Jamais só eu estaria, sem duvida que contigo ficaria
sem unica vez desdizer, contrariar, ou sequer esquecer
que sem afecto, não se resiste,
penso até que sequer se existe
E o que tanto gosta de se receber
por vezes tem que se doar,
sem à quantidade olhar
sem se questionar, apenas dar.

domingo, maio 25, 2008

Aumentou sem que eu pudesse controlar,
O desânimo, o ciúme, a predição e o azar
E a mascara que dantes me cobria
Que me temperava as faces e que me servia
Deixou simplesmente de o fazer
Desnudou o que nunca desejei vir a ser.

Transparece agora sem que consiga conter
Porque são mais fortes, do que a força que tinha para os deter
A tristeza, o desalento, a amargura, e ainda assim a arrogância
O desconsolo, a teimosia e a implicância

E deixei por outro lado, ao frio e à chuva, ao relento
Deixei descorar ao forte imutável e infeliz sofrimento
A alegria, o contentamento, a folia, o riso, a gargalhada o alento
O Júbilo, A felicidade, O prazer e para ser franco até a alma desbotei
Nas margens de um rio, foi onde a vida lha ceifei...

Acabaram-se as charadas,
Morreu o riso e silenciaram-se as gargalhadas
O silêncio impera, nas ruínas que na paisagem ainda persistem
Estou doente, ferido, infeliz, silenciado, e por isso escrevo as cismas que ainda subsistem
E nesse silencio nessa solidão, nessa suposta quietude, não há calma que me chegue,
Não há sossego que me sossegue
Não há aconchego que me aconchegue
Irrito-me e aniquilando a paz grito simplesmente
Que à força desta mágoa não há o que me valha,
Nem o papel me salva, nem a razão me ralha

domingo, maio 11, 2008

Palavras

São simples palavras as que te digo,
As que te segredo ao ouvido,
As que te soltam,
Também o são, as que por vezes te irritam
São-no as que te amam, as que te adoram
As que te seguem
E todas aquelas que te ignoram

Palavras e nada mais,
Ideias simples ou complexas
Algumas simples futilidades, outras maravilhas tais
Que te conseguem ouvir
Que te dizem bom dia,
E em seguida te fazem sorrir
Há também as que te falam
As que no desespero te acalmam
Há as que te cheiram
As que te livram do desgosto
As que te apaladam o gosto
As que te mentem
Aquelas que por vezes sentem
As que te obrigam a chorar
As que te fazem rir como não há outras

Palavras nunca são simplesmente…
Palavras, ditas correctamente,
Desaferrolham o mal humorado
Minam o corrupto agastado
Curam o doente
Matam as saudades,
Dizem as verdades
Findam as misérias
Fazem milagres… Por vezes tragédias
As palavras quase são elemento, fundamental da união,
Quando não fomentam a minha triste solidão

E consoante, são usadas
Matam
Corroem
Ressuscitam
Criticam
Constroem

Maldizem
Homenageiam
Mas também Destroem...
Umas são verdadeiras
Outras ridículas
Há ainda as grosseiras…
Brotam de mentes brilhantes
De outras tantas ignorantes
E quem as fala tanto, não significa que as conheça melhor
Que quem em silencio as pensa
Que quem na penumbra as mima,
Acaricia
Elogia...
Palavras são armas de ousadia
De vergonha
De volúpia...
Palavras, são até as que nunca ouviste
Mas que de certo t'as disse nalgum momento

Em que me considerei com mais alento
Em que perssenti que as sentirias, mas não sentiste...

sexta-feira, maio 02, 2008

As contradições....Da mente?

Não contemplo a tua ternura
Não fecho os olhos em busca da tua frescura
prefiro sinceramente não ter que ver
à sensação de apenas crer
Ao vazio, ao deslumbre,
Até a propria vontade sucumbe...

Já o sonho farto, antes mesmo de adormecer
E acordo sistematicamente na esperança de ver
O que quer que seja, que queira acontecer
Mas volto-me para o outro lado,
Que já não suporto, o meu estado...
Ora revoltoso, ora anestesiado
Mas sempre sinceramente,
Manifestamente, clarividentemente,
Ousadamente, orgulhosamente
Nunca alegre, jamais sorridente
Mas sempre enfastiadamente
Revoltado, acordado,
Raramente indiferente
Às vezes odiado, outras ainda amado
E sem contar com a falta de modestia
Que essa esqueci, apaguei a ultima restia
Possivelmente serei unicamente,
Talvez até rigorosa e escrupulosamente
Um triste, tristemente, alegre e contente.

domingo, abril 13, 2008

Antigas.....Velhinhas...

Já passaram uns anos valentes, mas ainda assim, foi o inicio e por isso sempre de referencia :) (não que a qualidade tenha melhorado ou piorado desde então, manteve-se simplesmente fraquinha lol)

#CoolChannel/Poesia :)

Linhas compridas...Pensamentos Curtos

Há pessoas que vivem uma vida encerradas, na sua consciência
Sem liberdade, sem espaço de pensamento…Apáticas, mortas de vivencia
Remetidas a dogmas, encerradas em verdades que as cegam, que as matam
Opacas no seu pensamento, tentam a expressão em forma de sombrios monólogos,
E nos silêncios que compartilhamos, dizem os seus olhos o quão tristes são, nesses instantes elas falam

Não revelam pensamentos, ideias ou ideais…Não os têm, não há espírito que os suporte
E pensar a ideia somente, mesmo nem sendo forte pode ser ideia de morte
E morrem assim tão esplendorosamente em silêncio, que as palavras, leva-as o medo
Corroem-se de dores, amortalham-se no sofrimento, deixam-se morrer a cada momento
E nada dizem, não vá a sua consciência ouvi-las e talvez quem sabe…Oferecer-lhes a liberdade

Há pessoas que não falam, com medo que se ouçam a si mesmas, e outras há que falam
No nome da verdade, e nada dizem senão apenas a descrição da desconsolada realidade
Desta prisão, que nos invade, destas mentes que nos mantêm reféns do ser próprio
E cheios, repletos de vaidade, ainda tentamos outra vez dizer mal da liberdade….

Mas outras há, que não falam porque a ideia… Mais vale nem a ter…É dos pensadores ópio
Não queremos delas usufruir, são drogas de outros, são somente reflexões
A independência é subjectiva, e as pessoas têm medo de espaços colossais, mesmo os do saber
Soa a disparate o que estou a dizer, mas na certeza vos digo que há quem as prefira manter
A dizer a mais pura verdade…A revelar uma única ideologia, uma ideia um sentido, um sentimento ou sequer fantasia

E se a memória for limitada, o perigo estará controlado
Se a reminiscência for recalcada, não existirá a vivacidade de poder ter concepções
Não existirão entrelinhas, meias ideias, ou outras quaisquer motivações
Que nos levem a falar, da prisão, da cadeia, do cárcere que pode ser o pensamento

E digo-vos isto cá de dentro sem grande constrangimento
Que morrer por vezes é o melhor remédio… A melhor solução
Mas há contudo quem esteja morto e não seja sensato para o saber
Há quem viva sem viver, há quem morra e não o queira sequer entender.
Que a morte é solução de mil problemas, quando estes nos enjaulam na sua lamentável sedução

Falling Slowly

Ainda não vi o filme, que também infelizmente ainda não tem data de estreia para Portugal...Mas que tem uma banda sonora excelente :)

Fica aqui o representante mais conhecido da mesma



Hope you enjoy it :)

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Para todos, e porque ha muito que nada é "postado"

Nao que seja apenas para fazer qualquer post no meio do vazio, mas porque na verdade os amigos são...São algo mais que simples pessoas que se cruzam connosco e porque a melhor forma de ver o mundo é sem duvida se em cada outro de nós conseguirmos ver um amigo....Fica a letra para os amigos e não só.


Freude schöner Götterfunken

O Freunde, nicht diese Töne!
Sondern lasst uns angenehmere anstimmen
und freudenvollere!

Freude, schöner Götterfunken,
Tochter aus Elysium,
Wir betreten feuertrunken.
Himmlische, dein Heiligtum!
Deine Zauber binden wieder
Was die Mode streng geteilt;
Alle Menschen werden Brüder
Wo dein sanfter Flügel weilt.

Wem der große Wurf gelungen
Eines Freundes Freund zu sein,
Wer ein holdes Weib errungen,
Mische seinen Jubel ein!
Ja, wer auch nur eine Seele
Sein nennt auf dem Erdenrund!
Und wer's nie gekonnt, der stehle
Weinend sich aus diesem Bund.

Freude trinken alle Wesen
An den Brüsten der Natur;
Alle Guten, alle Bösen,
Folgen ihrer Rosenspur.
Küsse gab sie uns und Reben,
Einen Freund, geprüft im Tod;
Wollust ward dem Wurm gegeben,
Und der Cherub steht vor Gott!

Froh, wie seine Sonnen fliegen
Durch des Himmels prächt'gen Plan,
Laufet, Brüder, eure Bahn,
Freudig, wie ein Held zum Siegen.

Seid umschlungen, Millionen.
Dieser Kuss der ganzen Welt!
Brüder! Über'm Sternenzelt
Muss ein lieber Vater wohnen.
Ihr stürzt nieder, Millionen?
Ahnest du den Schöpfer, Welt?
Such ihn über'm Sternenzelt!
Über Sternen muss er wohnen.

Lyrics: Friedrich von Schiller (1759-1805) &
Ludwig van Beethoven (1770-1827)
Musik: Ludwig van Beethoven (1770-1827), Neunte Symphonie

(Sem tradução é mais bonita)

terça-feira, novembro 13, 2007

....confições ....

Dêem-me descanso mentes atordoantes
Deixa-me repor o equilíbrio em mim
Deixai-me respirar, inalar a alegria do pó enfim….
Constante, sem nada de extravagante
Deixem-me agora assim
A repousar, a descansar, somente em mim
Outra e outra vez, descansar por fim

Mata-me a pouco e pouco o cansaço do tempo, do fruto, do cancro….
Morro a cada minuto que passa a cada batimento, a cada respirar
Morro no momento em deixo de escrever, em que paro de pensar
Mina-me uma vontade quase eloquente
Uma queda poética, digna do sol poente
Corrói-me a semente… E a sábia tristeza envolvente
Solto os problemas ao sol, ao vento que os levará
Não sei para onde, mas para longe de mim, será
Retiro o nó da garganta que me asfixia
Mato em mim, a vontade de ser poeta de ser alguém algum dia


Mas de mortes e mortos, infelizmente apenas restam memórias
Apenas isso e algumas centenas de histórias…
A perda foi por infortúnio consumada,
Eles já partiram…cedo foram, ainda de madrugada
Deixaram-nos mais sós, mais pobres, mais tristes e desconsolados
Levaram com eles todo o resto mas não, não… Jamais a saudade
Essa fica e faz-nos de certa forma a vontade
De nos deixar, por vezes também morrer,
E de nesses breves momentos nos deixar perto deles ficar
Tão longe deste mundo tão longe desta realidade, pairar
Em quase sonhos, em quase devaneios…Enlouquecer
Longe fica tudo, excepto o desatino, a loucura
E lá longe fico também….Por um momento, por um alguém
Deliciando a mente e a alma com alguma doçura
Amarga? Amargurada? Triste? Enlouquecida? Vencida?
Não, a tormenta é distante e a doçura….Quase constante.

domingo, outubro 28, 2007

...."Untitled"....

Procuro simplificar as palavras, para não mentir
Para não confundir mais o que pretendo dizer
Com o que não consigo disfarçar de sentir

Pretendo olhar-te outra vez, e entender
Onde está a traição do meu fundamento
Que me fez dizer
Que o mar que observava era amor,
Fonte de alento, alimento, e eu que já me sinto sedento….
Fitava tão imerso, tal calmante
Tão lindo, traiçoeiro, perigoso, surreal e relaxante
Da mesma forma eu via o amor,
Esse sentimento…Essa ferida de ardor

E a pessoa com quem falava era ninfa encantada na verdade
Donzela sem espinhos, que não me quis injectar, veneno tão letal
Esse afecto, forte completo a quem chamam amor…não é banal
É forte veemente, como o mar, em dia de tempestade
Daí a confusão…
A indecisão

Mas como disse não quero voltar a mentir
A verdade é só uma, e está despojada de protecções
Está só, livre de quaisquer contradições
Bastaram duas palavras para chamar outra vez o ser a sentir
Esse bobo triste que aparece sem terem de pedir
Pedindo afectos mil, ou sofrerá, por solidão
Por embaraço, nada de novo, e por paixão

Não o enterro em mim pois não consigo,
Não tenho porte, nem tais intenções…
Não o escondo, nem esconderei,
A ser eu tentarei…
Mesmo que assim fuja, de mim, serei
Bravo se preciso,
Ágil, lesto, conciso
Agitado, carismático
Cru, nu, despido do preconceito
Relaxante e gostoso a preceito
Saboroso, delicioso
Leal, poderoso,
Dominante e quem sabe feroz
Ou nada disto, nem tão pouco se tivermos a sós
Que tou rouco de gritar e os céus já não ouvem minha voz.

Quem dera ser Bocage, ou de forma mais informal A RECEITA

Quem dera ser Bocage


Quem dera conseguir escrever
Um poema que se visse, para toda a gente ler,
Sem truques, ou palavras complicadas
Sem grandes fintas, ou versos de pronuncias enroladas
Quem dera ser como Bocage


E conseguir com palavras simples, ou simples palavrões
Poemas para uns poucos, ou para as grandes multidões
De puros disparates ou até complexas paixões
Entreter quem queira, que os quisesse ler


Mas não tenho tal trato, e os poemas que vou fazendo
São aqueles de rimas mais que repetidas
Com palavras mais que muitas vezes ouvidas
Como são, “o meu triste sentimento…”
“Ai que não sei que faça com tanto sofrimento…”
E assim continuando com tamanho tormento
Estas são as voltas que dou em pensamento.


E de triste à tristeza e de frustrado à frustração
É apenas uma pataca ou se preferir um tostão
Corro a todas as possíveis, não pela primorosa poesia
Apenas pelo gosto daquela tão severamente triste união
Às vezes apenas um puro disparate, ou quem sabe a heresia…


É uma quase receita, junte um pouco mais de lamento
“Ai quem dera ser quem não sou, mas queria tanto ser…”
Sem como é claro que para tal, tivesse algo que fazer
Seguidamente junte uma pitada de fermento
Mas cuidado com as quantidades, especialmente no que toca ao desalento
Não podemos matar o publico logo ao primeiro verso,
Deixem-nos vir, ricos em contentamento
Para depois lhe mostrarmos a pouco e pouco o reverso
Agora aguarde que a massa cresça e junte outro condimento
Assim sucessivamente até completar a triste junção, até ficar pronto a servir
Para todos os alegres, ou simplesmente tristes que o queiram ouvir


No final a partilha do insucesso, tristeza ou, frustração
Deve ser feita em conjunto para que não sofra simplesmente na sua pobre solidão
Os desalentos podem ser no final compartilhados, chorados, ou até talvez amados
Mas fica assim a saber a receita para fazer bolos salgados
Pelas lágrimas, ou simplesmente tristes, em especial depois de serem lidos
Quem sofre mais no final são sempre os ouvidos…
Mas alegre-se que melhor “ouvinte” que o papel é nos dias hoje difícil de encontrar
Ou faltam quando chamamos, ou simplesmente não nos querem mesmo ligar…

domingo, outubro 07, 2007

Procurei por horas a fio em ruas sem fim
por algo diferente, simplesmente de mim
Nada encontrei senão mais raiva de ser assim
e de te tentar procurar por horas a fio, horas sem fim

Encontrei-me mais tarde, já desfeito...
pela mordaz, pungente e ruinosa, falta do ser
embrenhado em sórdidas mágoas,
Já pouco ou nada havia a fazer...

Mas continuava... vagueava por becos, e ruelas onde nada se conhecia
transtornado, confuso, atordido e mais tarde desorientado
Era eu um ser inolvidado antes, possivelmente antes de ser dia
Porque agora já nem eu me reconhecia

Mais tarde, horas sem fim mais tarde...

Olhava o meu rosto refletido na água
Essa tao impura, e à minha semelhança triste...
Água que naquele cada vez mais pobre rio existe

Olhava-a enquanto ela no seu silencio e com a sua calma
Me explicava de forma simples e quase maravilhada
que eu simplesmente perdera a alma...

dei-a ao sentimento, que com ela fugiu
Apresentei-a ao pensamento, que com ela se despiu
Mostrei-a ao amor que com ela dormiu
Desprezei-a, e dei-a a todos e todos esses...E ela partiu

No final apenas soube que a perdi
E que com ela um pouco de mim tambem esqueci
Algures num tempo que não senti
Algures longe daqui...

sábado, setembro 22, 2007

"Depois do adeus"

Após tanto tempo de ausência, tanto tempo longe deste blog, da quase desistência, ou porventura da desistência não assumida...Não pretendo voltar a ressuscitar os fantasmas, mortos e enterrados.
Simplesmente nos últimos tempos a solidão, a quietude, o distanciamento e a introspecção, têm me feito pensar, e com o pensamento volta sempre, a pouco e pouco a escrita e o desabafo com o computador mais do que com o papel, mas sempre com o mesmo intuito.

Só por isso "voltei", não com a vontade de escrever diariamente, ou sequer de actualizar o blog várias vezes...Apenas com o intuito de escrever esporadicamente, quando a mente e a vontade o desejarem.

E porque as desculpas já vão longas....

Divagações Nocturnas

Às vezes dou por mim perdido, olhando-te
como se não tivesse passado mais que ontem
e esperando, que do outro lado, na fotografia
alguém me espere, ainda após tanto tempo
À espera talvez de um singelo,
mas portentoso apelo,
algum chamamento,
N forte ilusão diria, de algum sentimento
Mas nada...Tudo passa em vão
e perco-me, diluo-me outra vez na ilusão
na doce miragem que observo, naquela bela ilustração
Perdido percorro os traços, as cores, as expressões
que me podem talvez alentar,
na incerteza...A divagar
Por essa foto quase tão velha
quanto o tempo, que por vezes espreito
nestas noites em que te olho
e em que me vejo desfeito.

A perfeição tão almejada nunca chegou, e a qualidade foi-se perdendo, mas não escrevo para outros, tento ilustrar muito o pouco que vou sentindo....

I.

Mais uma noite passada nesta taciturnidade
Mais uma noite levada pela insaciedade
Vencida por fim ao cansaço, físico e do pensamento
Deveras que não é senão efeito de outra coisa que falta de sentimento

Tristeza , desalento, murmúrio, pensamento...
E subitamente ouço, alguma alegoria no ar
Que soa ao som dos anjos, a rufar
Aos tambores celestiais a bradar
A alegria apresenta-se para mais uma visita,
uma sórdida, desconsolada, agoniante e arrogante
alegria esta que me acompanha nestas noites que passam...

Quem dera ao longe vê-la acenar,
Vê-la como dantes com contentamento a chegar
Esta apenas traz distúrbio ao espírito que se tenta sossegar
Barulho, para o sonho que se quer sonhar,
Nada como dantes, o sonho sonhado
Viver, vivendo-o acordado.

A grande ilusão que causará esta alegria....Já não existe, fugiu, nunca existiu...Nem existirá

II.

Enfadonha noite que ainda assim não sossega
Deixa-me fechar os olhos por instantes
E por um momento vem uma orquestra, rufar
oara que no mundo dos sonhos, possa então me embalar

Vislumbra-se por um momento a vitória então do cansaço, Nesta alegoria da fadiga...Já não sei que faço.

Se voe, se me prostre no chão,
Que o amor por vezes bem me mendiga
instantes que sejam de atenção,
Pensamento próximo, compaixão
intenção, intuição e malandrice, mas isso só por sugestão.

Entro num mundo a que não pertenço

III.

Numa intimidade imaginária,
que a fantasia cria tudo o que pode,
Pelo silencio se caminha, na estrada que aparece
Por um instante, a intenção esmorece
Lembram-se os que nos são queridos e já partiram
Os que amamos, mas não sabemos onde estão
É noite neste país da utopia, nesta irremediável ilusão
e o caminho humedece
ao ritmo das gotas de sal...

Aquelas que vão a pouco e pouco escorrendo
Da triste face do pensador, que contempla a vida e a morte nas palmas das suas mãos

IV.

Observa atentamente a humanidade
Os seus ritos,
os seus gritos
ora de alegria, ou de saudade
de enérgica fúria ou de maldade
de morte e sentimento
de vida e de novo alento

Observa-os com ar consternado
transparecendo no seu rosto
"a vida vive-se num momento
não existem dois sopros de alento
num dia é-se bebé, criança, jovem, adulto, velho.....
no seguinte pó deslocado pelo sulco do vento".

V.

Peço agora que me deixeis só
para me inebriar em mais pensamento,
em mais sensações...Talvez apenas em desalento
frustrações, irritações, tristezas, há assim momentos
Mas peço-vos que me deixeis só
para aprender outro caminho,
Mas no fundo para simplesmente ficar sozinho.


domingo, julho 30, 2006

Sonhar?

Há pessoas que nos parecem acordadas
quando dormem, quando sonham improbabilidades
nos seus mundos e mentes fechadas
Sonham com as impossibilidades de outras realidades

Mas realidade ha apenas uma, aquela que eles não vêm
aquela que lhes toca tenuamente,
de forma tao ligeira que nao sentem, coisa tao diferente
do mundo que sonham, desse tao pouco pungente...

Eu, talvez assim seja, acreditando no que nao acontece
Sonhe de facto acordado, com o amor
esse que se mostra tao indiferente,
que dá esperanças em vez de factos
que me mente....Que me mente....

___________________________________________________________________________

Para as férias -> Tentem ser felizes se nao o são, se ja encotraram o que tantos outro procuram preservem-no
Divirtam-se e felicidades (eu vou tentar fazer o mesmo)

sábado, julho 22, 2006

Simplesmente lindo

Há montes de tempo que nao me dá para escrevo a dita poesia, mas ao ouvir isto dá-me que pensar:


É Isso Aí
Ana Carolina

Composição: Ana Carolina

É isso aí
Como a gente achou que ia ser
A vida tão simples é boa
Quase sempre
É isso aí
Os passos vão pelas ruas
Ninguém reparou na lua
A vida sempre continua

Eu não sei parar de te olhar
Eu não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não sei parar
De te olhar

É isso aí
Há quem acredite em milagres
Há quem cometa maldades
Há quem não saiba dizer a verdade

É isso aí
Um vendedor de flores
Ensinar seus filhos a escolher seus amores

Eu não sei parar de te olhar
Não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não vou parar de te olhar


Ouçam a música é simplesmente genial.....Dá que pensar.....Eu nao sei parar.....

sexta-feira, julho 14, 2006

Não sei que te diga

Desejava dizer-te "Amo-te.", e não seria uma palavra em vão, seria apenas um sentimento transformado numa palavra, curta e simples e que descreve o inevitavel.
Mas falta-me a coragem, e não a vontade,
sinto que me rejeitarias, e não o contrário, talvez me engane a mim em nome do medo dessa tão possivel rejeição.

domingo, julho 09, 2006

Regresso....curto....

Depois de uma longa ausencia, dei comigo a pensar nas mesmas coisas, nos mesmos problemas, com os mesmos sofrimentos...
Culpabilizo-me mais uma vez, por aquilo que me acontece, até porque ninguém mais há a quem atribuir alguma culpa, apenas eu, e o mais estranho é que parece que nada faço para alterar certos comportamentos e atitudes, desapontamento, após ilusão, frustração após alento....A minha vida por vezes lembra-me a onda que vai e vem, que parece mudar mas nao muda, que cresce, que decresce, e que nunca sai do mar.

Lembrei-me que tenho o meu porto por vezes aqui, e que ja passava longo o tempo desde da ultima vez que nele por assim dizer, repousei. Nada trago de novo, nenhuma tragédia por enquanto, mas tudo parece estar seguro por fios feitos nada, que a qualquer momento prometem que hão-de soltar a tempestade que tanto lhes pesa agora, que há-de me minar...Apenas breves momentos tenho para mudar, para pensar no que fazer, para sair da indecisão para agir segundo uma qualquer decisão que tome neste breve tempo. O impressionante é que só agora ele é breve, eu ja tive muito tempo para me decidir, mas como sempre, guardei a resposta para o ultimo segundo....Contudo se fosse para ti que ela se destinasse, seria obviamente um sim, mas desta vez, terei que decidir em certa forma se hei-de ou não continuar por esta que tem sido uma triste e penosa caminhada, onde tive várias vezes a esperança de conseguir ver a dita, luz ao fim do tunel, ou que acontecesse na minha mente e vontade o tal click, e que tudo se resolveria. Mas a verdade é triste, para nao dizer estupida, e demasiado teimosa, a realidade..., obviamente que falo apenas que reservei para mim mesmo, e nao da outra, realidade que todos enfrenamos, esta minha realidade que ja tem vários anos, e que continua praticamente inalterada, e como sempre por minha e unica culpa. Eu sinceramente tenho a impressao de cada vez menos me conseguir compreender (é por isso tao normal que nao entenda os outros), eu que e modestia à parte, sei que tenho algo dentro de mim, que nao aproveito, algo que me torna...Nao sei...Especial???, mas continuo sem entender do que estou à espera..., supostamente todos temos um destino (ou nao), um proposito, sim isso um proposito, cabe-nos talvez a nós decidir qual é, contudo eu ainda nao faço ideia de qual seja o meu. É verdade que há coisas que me dão um prazer especial, como por exemplo, aprender algo de novo, ou ajudar alguém, ou..., sei lá tanta coisa, mas contudo parece-me que o meu próposito nos ultimos cinco anos tem sido o de tornar a minha vida e a daqueles que me são mais próximos num completo inferno...

Quando se perde a iniciativa, a motivação, a razão, o gosto....Torna-se complicado conseguir continuar seja o que for, e sinceramente eu nao sei até que ponto me posso por vezes odiar mais, e contudo no momento seguinte, esquecer tal odio.
E pergunto-me agora....Será mesmo ódio?
Sim, quando sei que tenho que fazer algo, que tenho algo a cumprir, quando tenho um trilho traçado e um tempo para o fazer...E em vez disso sigo por outros caminhos, que a lado nenhum me levam num futuro, que me deixarão, morrer se for preciso, num mundo que me aborrece, que me mata aos poucos, que me faz cada dia mais odiar-me...E que no entanto eu continuo a seguir....Dará para perceber?
Se eu não me percebo, como hei-de perceber os outro?

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

MESA

Vicio de ti

Amigos como sempre, dúvidas daqui para a frente.
sobre os seus propósitos, é dificil não questionar.
canto do telhado para toda a gente ouvir.
os gatos dos vizinhos gostam de assistir.

enquanto a música não me acalmar,
não vou descer, não vou enfrentar.
o meu vicio de ti não vai passar.
e não percebo porque não esmorece,
ao que parece o meu corpo não se esquece...

não me esqueci,
não me atrevi,
não adormeci,
o meu vicio de ti!

levei-te á cidade, mostrei-te ruas e pontes.
sem receios, atraí-te ás minhas fontes.
por inspiração, passámos onde mais ninguém
passou. ali algures, algo entre nós se revelou.

enquanto a música não me acalmar,
não vou descer, não vou enfrentar.
o meu vicio de ti não vai passar.
e não percebo porque não esmorece.
será melhor deixar andar?
será melhor deixar andar?

eu canto a sós para a cidade ouvir
e entre nós há promessas por cumprir.
mas sei que nada vai mudar,
o meu vicio de ti não vai passar.



tinta invisível

panela de explosão
cai a tinta no coração
as estradas são os teus medos
a tua implosão...

tens a bossa fria
mesmo com a ginástica
enrolas as palavras
não convence a frase

com a mão no ombro
e de pés firmes olhas o pó
do oriente laranja

tens os sais à mão?
Dá-me como se eu fosse os teus

não há hora de zarpar
com a corrente atada aos ombros
lembras-me alguém ultrapassado?
um herói domesticado
sintoma branco
ataca o teu passado

é preciso terminar...


divagadora

sou uma divagadora, que se isola em partes, sempre
[à procura do receptor.
e persigo e persigo e persigo e persigo
sigo e somo aqui, dou e torno às vezes
e se não acordar alguém voltará a dar

segue o teu rumo mesmo sem avançar a tua inércia força o meu paladar
e se um dia eu sair do sofá será a fugir para o lado de lá
um truque lento usado para salvar tornou-se num beco
[de onde não podes escapar
é a realidade não é sabotagem; se não fores atrás ela não te será dada

é uma linha estreita
um movimento escorreito, com a jovem atracção fica tudo
[um pouco louco
realidade não será visionada na t.v.
e se não acordar alguém voltará a dar

sábado, fevereiro 18, 2006

Pearl Jam - Man Of The Hour

Tidal waves don't beg forgiveness
Crashed and on their way
Father he enjoyed collisions; others walked away
A snowflake falls in may.
And the doors are open now as the bells are ringing out
Cause the man of the hour is taking his final bow
Goodbye for now.

Nature has its own religion; gospel from the land
Father ruled by long division, young men they pretend
Old men comprehend.

And the sky breaks at dawn; shedding light upon this town
They'll all come ‘round
Cause the man of the hour is taking his final bow
G'bye for now.

And the road
The old man paved
The broken seems along the way
The rusted signs, left just for me
He was guiding me, love, his own way
Now the man of the hour is taking his final bow
As the curtain comes down
I feel that this is just g'bye for now.




....Just beautiful....

segunda-feira, janeiro 30, 2006

ITS SNOWING




Está a nevar :)


Que fixe talvez pela primeira vez em meio seculo ou talvez mais está a nevar em Setubal, e em muitos locais estranhos por esse Portugal fora....


Foi ontem e quem ontem estivesse a dormir, ou nao visse que nevou, pelo dia que hoje faz, seria dificil de acreditar em tal coisa (visto que hoje está um sol......mas um Sr. Sol)


It was magic....And me...I was just happy as a child, jumping and watching......Was really beautiful :)

segunda-feira, janeiro 16, 2006


(Serra da estrela, foto ainda dos tempos em que eu andava em C.B.)


Já passa algum tempo desde que pus aqui o ultimo post....Já passa muito tempo desde que perdi de certa forma o alento para o blog...Mas ainda assim de vez em quando lá escrevo alguma coisa nova, lá vem algum tempo que não aproveito da melhor forma e por isso aparece a escrita, e de longe a longe o desenho...Mas por falar em tempo mal aproveitado, cá fica mais um "poema":


PERDA DE TEMPO


Que insatisfação
que mescla de descontentamento
que aflição
e apenas perco tempo...

quem me dera pode-lo controlar
quem me dera que o dia fosse longo
quem me dera talvez chorar
quem me dera, quem me dera...

e ainda assim perco mais tempo
ao fazer o que nao devo
ainda assim perco mais tempo
a lamentar o meu tormento
vejo-o a fugir, e nada faço
vejo-o partir, e morro com esse sentimento


que maquina esmagadora
quisesse eu que ela parasse
mas nada posso fazer, na verdade,
pois ela é possuidora
da perguiça e da vontade
da ambição e do amor
do orgulho e do terror
e de outras coisas mais
fantasticas e atrozes...coisas tais...
Que paro para a olhar a magicar,
coisas novas, outras velhas
e parado fico, a ve-la trabalhar
a ve-la envelhecer-me, com rancor e com saudade.

sábado, dezembro 24, 2005

MERRY CHRISTMAS AND A HAPPY NEW YEAR


é de certa forma estranho que o ultimo post tenha sido há quase um mês, mas o trabalho na escola e a pouca vontade de colocar aqui algo de novo têm-me afastado destas paragens, contudo não poderia passar esta altura de festividades sem por aqui um postzito.
Por isso Boas Festas, um feliz natal e um optimo 2006

terça-feira, novembro 29, 2005

Loucura

Tudo cai! Tudo tomba! Derrocada
Pavorosa! Não sei onde era dantes.
Meu solar, meus palácios, meus mirantes!
Não sei de nada, Deus, não sei de nada!...

Passa em tropel febril a cavalgada
Das paixões e loucuras triunfantes!
Rasgam-se as sedas, quebram-se os diamantes!
Não tenho nada, Deus, não tenho nada!...

Pesadelos de insônia, ébrios de anseio!
Loucura de esboçar-se, a enegrecer
Cada vez mais as trevas do meu seio!

Ó pavoroso mal de ser sozinha!
Ó pavoroso e atroz mal de trazer
Tantas almas a rir dentro de mim!

by: Florbela Espanca
a visitar: Site de homenagem à grande poetisa


E isto de loucura tudo por causa de um livro que comecei hoje a re-lêr chamado Loucura de Mário de Sá Carneiro, aconcelho vivamente a todos os que puderem, não percam a chance a leiam-no e já agora fica aqui um link para quem não conhece, ficar a conhecer um pouco melhor Mário de Sá Carneiro


:)

domingo, novembro 20, 2005

Já faz tempo que aqui não escrevo...

Pois é já há alguns dias...mais propriamente semanas que não escrevo um post no meu blogzito de estimação :)

É quase irónico, lembrei-me de aqui vir quando me senti realmente só...É como se isto exorcizasse a minha solidão ou a minha tristeza, bem sei que não o faz, mas às vezes acredito como se isto fosse realmente a cura da minha "doença"...

Para não variar vou deixar mais um poemazito...

Vieste num dia em que não te esperava
E contudo partiste, quando a desilusão do sentimento me aguardava
algures na minha solidão, algures na minha tristeza
Eu sei que talvez tu nunca me tivesses desejado,
mas a verdade... A minha verdade é tão diferente,
tão tristemente irreverente...
Que às vezes esqueço a dor que sinto,
esqueço, sabendo que apenas que a mim minto,
e espero por uma morte há muito aguardada sem dor ou sofrimento,
apenas aguardo que ela chegue num possivelmente solene momento...

....Nada mais há a dizer destes tempos em que te adoro em segredo, com medo, do que tu possas não sentir...É covardia! Eu sei...Mas tenho medo, medo de mim...

Afinal ainda vou deixar outro, este já tem uns aninhos, mas eu sempre gostei dele, sempre me identifiquei muito com ele, e agora sinceramente o que mais me apetecia fazer, tem muito a ver com este poema....

Lágrimas

Escorrem dos olhos sem que as possa interpelar
São ainda de um amor
Que não consigo evitar
por mais que queira, o pensamento
acaba sempre por lá chegar
A esse já triste e pobre sentimento
São as lágrimas que restam da dor,
Dessa tão estranha forma de amar
E que agora tanto lamento.
Fluem humedecendo o rosto deserto
Rolam com um ritmo incerto
Com o seu triste aspecto vão aparecento
E como aranhas a sua teia vao tecendo
Que desce dos olhos, abatendo-se por toda a face
Caindo por fim num mar, onde talvez cada uma se afundasse
E me deixasse então assim esquecer,
Esse amor que agora, que dessa forma me faz sofrer,
Seria então assim a chorar
Que dessa forte agonia me iria desamarrar.

Até a um próximo post

quinta-feira, novembro 03, 2005

Azafama

Pois é isto de ter 3 frequências em 8 dias arraza qualquer um, e eu que o diga, embora tenha aproveitado os feriados (feriado+ponte) da pior forma possivel, ou seja no ócio total ando com os neuronios completamente atrofiados, entre séries sucessões ainda as matrizes e claro os belos dos filosofos trbalhistas...Uma verdadeira feira de matéria umas vezes chata, outras dificil de compreender e por vezes (só algumas) interessante...Mas já chega da azafama dos neuronios e do estudo...Fica então aqui mais um poemazito(...como a falta de inspiração..ou melhor a falta de tempo para a inspiração tem sido enorme fica aqui um velhinho, mas do qual gosto muito):

A criatura desnudada

Naquela tela azulada,
Vive uma criatura desnudada.
Sem asas para poder voar,
Mas com vontade de se libertar.

Por vezes Voa alto sem saber,
Na sua própria vontade de crer.
Procura o que nunca encontrou.
Procura aquilo com que sempre sonhou.

Procura a liberdade,
Procura a felicidade,
De tanto procurar Algo encontrou,
mas foi diferente do que sempre desejou...
encontrou a tristeza e desde logo gostou,
Nela encontrou talento e a ele se aprisionou.

Mas a verdade,
É que o seu desejo nunca concretizou.
A felicidade ou liberdade,
ela nunca encontrou.

Ficou para sempre presa
Aquela tristeza.
Ficou com aquele talento,
Mas também com o seu próprio sofrimento!

terça-feira, novembro 01, 2005

...Empty days, empty mind...

I've died to the world
as dead can be dead
I smoke the rests of my soul
in the shadows of my coufin
I died, may be a long time ago
But I just realise now, how dead I am...In the darkness...

the void fills me up day by day,
in nights full of emptiness,
in those days where the sky
is covered up with clouds...blue days...
The nights covered by spirits from the dark, from the shadows...
But I really don't want to see all that, emptyness...all that sadness
I don't want to feel it anymore
to write it, or write my feelings again,
don't want to read or hear my sadness...

I want to go back to life again...
To work as ever, so I can forget my own death
Just work...And as many work, less sad I will feel, less time I will got to spend with feelings...

...Empty days, empty mind...

segunda-feira, outubro 31, 2005

My last train...




Rain on the brain
Now there’s flowers in your window
She, well she’s so strange
I don’t know anything about her
But if it’s all the same to you
Here’s what I’m gonna do
I’m gonna write a song
Gonna sing it to everyone
And then I’ll sing it to you
’cos it was you that wrote it too
This could be the last train
Search within yourself for feelings
Everybody’s got them
You left me on the shelf
And now there’s no-one to rely on
But if it’s all the same to you
Here’s what I’m gonna do
I’m gonna buy a gun
Gonna shoot eberything, everyone
And then I’m coming for you
’cos it was you that drove me to
This could be the last train
Woo-woo
Woo-woo
Woo-woo
Woo-woo
Rear window
Wit the room in her hair
And on her jacket
There’s a picture of che guevara
As he sits beneath the tree
But that’s not important
But he look a bit like me
If you took all the little feelings in your heart
And took all those little feelings apart
Oh well now
What’s the point in doing all of that?



Musica: Last Train
Autor: Travis
Album: Invisible Band
Site da banda: http://www.travisonline.com/

Há dias em que esta musica em particular é tão boa de ouvir...(se bem que todo o album é muito cool)

sábado, outubro 29, 2005

ALGA....QUE NERVOS

Ainda nao passaram os quinze dias, mas hoje o dia tem-me corrido pelo pior e por isso resolvi também quebrar as regras que me imponho...

Quem me ir...
Um dia assim partir,
voltar a ti e voltar a sorrir
quem me dera um dia ir
quem me dera partir...

Ruben, num momento de pouca inspiração, num dia terrivelmente errado...
Até daqui a mais alguns dias, espero que a proxima frequencia não me roube tanto tempo de estudo e não me corra tão terrivelmente mal...

PS- o que me chateia é que eu sabia e não fiz...
PS 2- Para esclarecer o titulo. Alga- Algebra Linear e Geometria Analitica (ng é obrigado a saber isto...)

sexta-feira, outubro 21, 2005

Punição





Eu, devido à minha irresponsabilidade, nos ultimos dois dias, condeno-me a não alterar, nem a "postar" nada nos proximos 15 dias, para que dessa forma possa ter mais tempo para estudar para as belas das 3 frequências que estão mesmo ao virar da esquina à minha espera.

Se assim o individuo responsavel, pelas suas irresponsabilidades, terá que ser punido de uma forma mais drástica, podendo até ser-lhe confiscado, ou apagado o blog em que ele tanto tempo tem dispendido.

Com desculpas para os demais.
Obrigado
Até daqui a 15 dias
(comentário não contam nesta punição)

quinta-feira, outubro 20, 2005

quinta-feira, outubro 13, 2005

Um pouco de publicidade a um dos meus blogs, em principio tentarei refaze-lo de uma maneira diferente daquela que tinha inicialmente seguido, vai ser complicado, as actualizações vão ser um bocadinho lentas, mas penso que é capaz de valer o esforço do click: Dá QuE pEnSaR

preocupado com o tempo, com a vida, com a morte...

...Porque a vida é um sopro que no vazio se desfaz,
É a lágrima que cai, e que nunca volta atrás
A vida é o tempo que passa, o relogio que nao pára,
É ferida que doi, e que não sara
É a chuva que cai, no mar revoltoso...

A vida está em todo o lado
Na criança, no jovem, no adulto e no idoso
A vida é essa musica fugaz chamada fado
É tristeza dos olhos que por vezes choram
É alegria daqueles que algures, olham
É um misto, uma energia,
É amizade, é toda uma empatia...

Mil palavras não chegavam, para descrever
Todo esse percurso do nascimento até à morte
Nem cem vezes mais, explicariam o milagre de nascer
viver é com todos os seus inconvenientes...Uma sorte!

sábado, outubro 08, 2005

Gritos mudos...

o silencio...Na noite completamente vazia
o silencio...Na minha eterna solidao para com o mundo
recordam-me os meus erros, aqueles que cometo dia-a-dia
recordam-me os meus erros, aqueles que cometi para contigo
e ainda na noite, me lamento,
porque o sono, com quem tenho costas voltadas
esqueceu-se de mim em mais uma noite,
em mais uma das morosas madrugadas...
E nesta noite em que o silencio me une talvez a ti
que nao me ves, nem ouves, talvez nem te lembres de mim
tal como eu te recordo a cada instante em que penso...
Em que olho para dentro e alvejo talvez assim,
um pouco de mim em ti, um pouco de ti em mim...
E não chorarei, porque também as lagrima fugiram
no longo tempo que tiveram, em que eu tambem delas me esqueci
Quieto e triste fico, apenas a pensar, na alegria de outrora
na alegria que me deixa a cada instante mais isolado
mais triste e um pouco mais para alem do completamente desolado
...
O silencio é assim, quando me encontra nestas longas horas
o silencio é assim, quando me vê e me acompanha...

quarta-feira, outubro 05, 2005

Num feriado encerrado em casa....

Onde te colocas tu? Quando de manhã embrenhado nos lençois te chamo e só depois de algum tempo depois de ter realmente acordado me lembro que apenas aos sonhos pertences...E que sentido tao trágico dou eu a todas as coisas...Em que tragédia diária vivo eu?, que me escondo do mundo, que me esqueço dos outros, que me considero demasiado importante, demasiado imponente, para que eles se possam esquecer de mim...

E já, sim já tentei, mas mudar é tão complicado, ainda para mais quando se odeiam tanto as mudanças numa vida em eterna mutação...Quando se vive apenas para a tradição aquela que julga imutavel e que ela também esquece, que tradição que se matém é apenas aquela que tudo muda...

Que fazer num mundo em que todos se esquecem, em que todos têm tao fraca memoria...Que fazer?

sexta-feira, setembro 23, 2005

O ultimo desta série


O mundo move-se no espaço que me rodeia
No curto tempo, que por vezes escaceia,
E eu especado, sem nada fazer, fico apenas a olhar
Observando no aspecto das coisas a mudança,
Mas não me movo, nao me mexo, para que não me possam mudar
Para que fique para sempre eu, ainda tenho essa esperança
E assim fico estático, a ver o tempo e a sua passagem
Como um rio que corre para a foz, como uma crinça que acaba de nascer
Mas eu não me modifico, apenas sentado fico, numa margem
a ver o rio que passa, a ver a criança crescer...


Agora é tempo de escola e de estudar...Agora é tempo de passar nas disciplinas e ver se daqui por um ou dois anos acabo o bacharelato...Agora é tempo de estudar, é tempo de dar tempo ao blog!


Até sempre :)